16 de setembro de 2014

Das Aulas de 45' e 50'

   Esta terceira entrada deverá ser mais curta e resumida; afinal, iniciaram-se as aulas e o tempo livre diminui. Para o tema de hoje, escolhi algo que me afecta directamente (e talvez a muitos outros estudantes). Todos aqueles que não sofram deste mal, mas doutros de igual gravidade, que me perdoem pelo egoísmo, mas sei que não sou o único que dele padece. Quem tenha tido o cuidado de ler o título talvez já tenha depreendido o assunto que escolhi: qual a duração ideal de uma aula.

   Terei de proceder a uma pequena contextualização deste meu texto. Na escola que frequento (pelo menos durante o ano lectivo passado), e em todas as outras escolas que frequentei, sempre se optou o método das aulas de 45 minutos, amiúde aglomeradas em blocos de 90 minutos. Porém, este ano, houve uma alteração, ou, talvez mais precisamente, uma inspiração de alguma entidade transcendente... Decidiu-se que seria muito mais produtivo adoptar um sistema de aulas de 50 minutos, intervaladas de 10 minutos. Deve ser praticamente tudo o que é necessário dizer.

   É um assunto não controverso, mas simplesmente incerto. Incerto porque há fortes argumentos a favor e contra as aulas de 45 e fortes argumentos a favor e contra as aulas de 50. Bom, comecemos pelo sistema (que sentimentalmente favoreço) das aulas de 45. Acima de tudo, as aulas de 45 (e blocos de 90) permitem uma muito maior continuidade pedagógica, pelo facto de as aulas não serem interrompidas exactamente a meio, e diminuem as perdas de tempo, por os intervalos serem menores, é claro, mas também porque só há uma oportunidade por bloco de os alunos chegarem atrasados; no entanto, é provável que, no final da aula, a concentração dos alunos diminua, por o interesse ter vindo a desvanecer gradualmente durante os 90 minutos, e, no caso de, por questões curriculares, haver, no mesmo bloco de 90, duas aulas de 45 minutos de disciplinas diferentes, em salas diferentes, a transição de uma sala para outra gera sempre alguma confusão e uma (ligeira) perda de tempo.

   Por outro lado, as aulas de 50 minutos intervaladas permitem aos alunos "espairecer" mais frequentemente, mantendo-os (em teoria) mais concentrados na matéria; porém, as perdas de tempo são significativamente superiores (entre cada aula de 50 há, normalmente, 10 minutos de intervalo, pelo menos, de acordo com o que vejo, e há maiores possibilidades para um aluno chegar atrasado) e, no geral, a quantidade total de blocos lectivos é menor, comparativamente às aulas de 45 minutos.

   Todo este discurso é relativamente óbvio para um aluno; nem sei bem porque é que perdi tempo a fazer uma elaboração desnecessária... O que me interessa, realmente, é fazer uma proposta, que talvez possa ser associada à minha teoria, para a duração mais ou menos ideal de uma aula. Então, aqui vai (não sei é se não há já este sistema em prática nalgum local; se o houver, as minhas desculpas por plagiar as ideias de outrem): aulas de 70 minutos (1h 10min), sem mais nenhum tipo de divisão. Sim, não são muito mais longas do que as aulas de 50, mas também não são assim tão longas quanto as de 90 (sublinhe-se que 70 é a média de 50 e 90); assim, talvez o problema da desconcentração seja diminuído (embora esse problema seja relativo e dependente de outros factores para além da duração objectiva da aula), e, por outro lado, se consiga manter uma maior continuidade na aula, tanto que, idealmente, só em casos raros haveria 140 minutos de uma disciplina (com um intervalo entre elas, obviamente), e não poderia haver aulas de 35 minutos. Restaria fazer todas as conversões e ajustes curriculares...

   Mas, sugestões talvez um pouco idiotas (mais do que um pouco, após reler tudo de novo...) à parte, na minha honesta, modesta, inculta e insignificante opinião, as aulas de 45 têm mais benefícios, no geral, do que as aulas de 50. Espero, como sempre, comentários e sugestões diversos relativamente a tudo o que foi dito, ou melhor, escrito. Até agora, tenho esperado em vão, mas espero que me demonstrem que estava errado ao dizer isso.

15 de setembro de 2014

Discordo do Acordo...

   Nesta segunda entrada deste blog, permito-me abordar um tema deveras controverso e polémico, ainda que relativamente recorrente na opinião pública. É isso. O leitor adivinhou: o Novo Acordo Ortográfico. É certo que se trata de um tema que já foi abordado múltiplas vezes, e, não sendo eu um gramático nem um estudioso da língua de qualquer outro género, quaisquer comentários não têm nenhum tipo de valor oficialmente reconhecido, pelo que o que farei terá, à partida, efeitos nulos. Mas antes criticar do que calar, antes dizer do que reprimir, e, além disso, mais vale adquirir o hábito da crítica logo no início deste blog do que iniciar com transigência e passar gradualmente para a intransigência; assim, serei fiel à minha intenção original e criticarei...

   A primeira crítica terá de ser a expressão já quase estereotipada de que se trata de um acordo mais político do que verdadeiramente linguístico. O que não percebo bem é como é que é político, se Portugal foi praticamente o único país a acarinhar esse projecto e a impô-lo na Administração Pública (e no Ensino). Talvez fosse uma tentativa falhada de aproximação ao povo irmão do Brasil (mais primo que irmão para mim, já que, quando muito, um dos "pais" será irmão de um dos nossos "pais", mas isso é outra história...). Para mim, não me importaria se houvesse (como ainda há) duas grafias grandemente diferentes do Português, uma europeia e outra... bem, americana. Já que o Brasil fica na América. Na do Sul, mas América ainda assim. Se os conhecedores das especificidades da linguagem Anglo-Saxónica bem se recordam, seria um sistema semelhante ao Inglês Americano versus o Inglês Britânico. Mas talvez seja eu que penso mal... e isso seria má ideia.

   No entanto, não fico por aí. Como observador um pouco externo a todas as características da evolução linguística, e como alguém com tendência para reflectir sobre assuntos diversos, não posso deixar de pensar que as evoluções de uma língua surgem gradualmente, com a passagem do tempo, com alterações do património sócio-cultural, com a derivação do seu significado, enfim... através de várias coisas. Mas (quase) sempre lenta e gradualmente. Ora bem, se a evolução da língua (e talvez seja importante referir que uso esta expressão para designar não só uma evolução em termos fonéticos, mas também em termos ortográfico-gramáticos, que, apesar de tudo, me parecem estar associados) se efectua de um modo mais ou menos natural, afigura-se-me ilógico provocar uma alteração (embora somente ortográfica, mas, ainda assim, uma alteração) de um modo puramente artificial. Talvez aqui me pudessem dizer que, pelo meu raciocínio, ainda se escreveria pharmácia em vez de farmácia, entre muitas outras coisas, já que também era errado o acordo de 1945, e todos os outros antes dele; no entanto, só não advogo o regresso à ortografia "arcaica" porque praticamente todos os falantes de Português actualmente vivos já foram educados nesse acordo; assim, como o "mal" já está feito, temos é de garantir que não se piora. Ou seja, resumindo este parágrafo talvez excessivamente extenso, é errado fazermos a língua evoluir porque, por esta ou aquela razão, nos convém, pelo que é errado o acordo.

   Além disso tudo, não posso deixar de referir todas as incongruências associadas ao acordo. É preciso ir mais longe do que cor-de-rosa ficar cor-de-rosa, mas cor-de-laranja passar a cor de laranja? É certo que a hifenização nunca foi um dos directórios mais bem organizados da nossa gramática, mas é mesmo necessário mudar para o mesmo tipo de problemas? Uma vez mais, talvez seja só defeito meu. Enfim... não tenho bem a certeza, mas o problema deve ser mesmo meu...

   Poderia continuar aqui a escrever muito mais sobre o Novo (Des)Acordo Ortográfico, mas não posso. Não é minha intenção quebrar o recorde para a entrada de blog mais longa... Só não posso deixar de referir que, mesmo que o Acordo estivesse correcto (coisa que penso não estar), a forma como foi posto em prática não é, nem nunca poderia ser, correcta. Nunca se poderia impor um sistema como que unilateralmente e para todos, mesmo para aqueles já fora da idade escolar, que, por isso, em princípio já não teriam a necessidade de interiorizar novos conhecimentos em termos gramaticais, excepto naquilo que se relacionaria com a sua actividade; se, e é um grande se, estivesse correcto, penso que só poderia ser aplicado a todos aqueles que iniciassem o percurso escolar (neste ou noutro sistema) nesse mesmo ano. Assim, se as coisas tivessem sido feitas como penso que deveriam, só daqui a uma ou duas gerações se poderia adoptar essa norma enquanto oficial e correcta.

   Enfim, já me alonguei demasiado. Resta só desejar um bom dia a todos os leitores (se os houver). Aceito, como espero sempre poder aceitar, quaisquer comentários que possam ter acerca disto (ou relacionados com isto).

14 de setembro de 2014

Regresso às aulas...

   Dentro em breve começa um novo ano lectivo, no mesmo sistema de sempre... Uso esta inédita oportunidade de comunicação pública para desejar a melhor sorte a alunos e professores e expressar a mais profunda compaixão pelo sofrimento que terão, devido a todos os problemas organizacionais, estruturais e funcionais que surgem associados ao actual sistema. Não é uma ironia, convém referir isso, porque talvez não tenha ficado assim tão patente no texto. De resto, boa sorte e bom ano para todos.

   P.S. - E é assim que se inaugura um novo blog, que, espero, se mantenha activo (e visitado) durante muito tempo, continuando a relembrar as pessoas do poder que realmente têm, mas de que amiúde se esquecem!