Esta terceira entrada deverá ser mais curta e resumida; afinal, iniciaram-se as aulas e o tempo livre diminui. Para o tema de hoje, escolhi algo que me afecta directamente (e talvez a muitos outros estudantes). Todos aqueles que não sofram deste mal, mas doutros de igual gravidade, que me perdoem pelo egoísmo, mas sei que não sou o único que dele padece. Quem tenha tido o cuidado de ler o título talvez já tenha depreendido o assunto que escolhi: qual a duração ideal de uma aula.
Terei de proceder a uma pequena contextualização deste meu texto. Na escola que frequento (pelo menos durante o ano lectivo passado), e em todas as outras escolas que frequentei, sempre se optou o método das aulas de 45 minutos, amiúde aglomeradas em blocos de 90 minutos. Porém, este ano, houve uma alteração, ou, talvez mais precisamente, uma inspiração de alguma entidade transcendente... Decidiu-se que seria muito mais produtivo adoptar um sistema de aulas de 50 minutos, intervaladas de 10 minutos. Deve ser praticamente tudo o que é necessário dizer.
É um assunto não controverso, mas simplesmente incerto. Incerto porque há fortes argumentos a favor e contra as aulas de 45 e fortes argumentos a favor e contra as aulas de 50. Bom, comecemos pelo sistema (que sentimentalmente favoreço) das aulas de 45. Acima de tudo, as aulas de 45 (e blocos de 90) permitem uma muito maior continuidade pedagógica, pelo facto de as aulas não serem interrompidas exactamente a meio, e diminuem as perdas de tempo, por os intervalos serem menores, é claro, mas também porque só há uma oportunidade por bloco de os alunos chegarem atrasados; no entanto, é provável que, no final da aula, a concentração dos alunos diminua, por o interesse ter vindo a desvanecer gradualmente durante os 90 minutos, e, no caso de, por questões curriculares, haver, no mesmo bloco de 90, duas aulas de 45 minutos de disciplinas diferentes, em salas diferentes, a transição de uma sala para outra gera sempre alguma confusão e uma (ligeira) perda de tempo.
Por outro lado, as aulas de 50 minutos intervaladas permitem aos alunos "espairecer" mais frequentemente, mantendo-os (em teoria) mais concentrados na matéria; porém, as perdas de tempo são significativamente superiores (entre cada aula de 50 há, normalmente, 10 minutos de intervalo, pelo menos, de acordo com o que vejo, e há maiores possibilidades para um aluno chegar atrasado) e, no geral, a quantidade total de blocos lectivos é menor, comparativamente às aulas de 45 minutos.
Todo este discurso é relativamente óbvio para um aluno; nem sei bem porque é que perdi tempo a fazer uma elaboração desnecessária... O que me interessa, realmente, é fazer uma proposta, que talvez possa ser associada à minha teoria, para a duração mais ou menos ideal de uma aula. Então, aqui vai (não sei é se não há já este sistema em prática nalgum local; se o houver, as minhas desculpas por plagiar as ideias de outrem): aulas de 70 minutos (1h 10min), sem mais nenhum tipo de divisão. Sim, não são muito mais longas do que as aulas de 50, mas também não são assim tão longas quanto as de 90 (sublinhe-se que 70 é a média de 50 e 90); assim, talvez o problema da desconcentração seja diminuído (embora esse problema seja relativo e dependente de outros factores para além da duração objectiva da aula), e, por outro lado, se consiga manter uma maior continuidade na aula, tanto que, idealmente, só em casos raros haveria 140 minutos de uma disciplina (com um intervalo entre elas, obviamente), e não poderia haver aulas de 35 minutos. Restaria fazer todas as conversões e ajustes curriculares...
Mas, sugestões talvez um pouco idiotas (mais do que um pouco, após reler tudo de novo...) à parte, na minha honesta, modesta, inculta e insignificante opinião, as aulas de 45 têm mais benefícios, no geral, do que as aulas de 50. Espero, como sempre, comentários e sugestões diversos relativamente a tudo o que foi dito, ou melhor, escrito. Até agora, tenho esperado em vão, mas espero que me demonstrem que estava errado ao dizer isso.