Após dois ou três longos dias de pausa, volto a escrever. Para aqueles que tenham ficado curiosos acerca dos motivos da minha ausência, terei de referir que o início das aulas, os horários mal elaborados, o envio de trabalhos de casa e outras coisas execráveis diversas me impediram de ter o tempo necessário à elaboração de uma nova entrada. Preferi, em vez disso, fazer uso do meu parco tempo livre para responder a alguns comentários que (os poucos que se deram ao trabalho de ler este meu blog) me fizeram. Hoje, volto a escrever um novo artigo. E, pelo título, adivinha-se que irei mencionar sumários.
Ora bem, pois então comecemos. Qualquer aluno sabe que, regra geral, no início ou no final (rima não intencional) de uma aula, é suposto escrever o sumário. Geralmente, os professores que se esquecem de fazer sumários, sobretudo os que se esquecem durante muito tempo, são vistos mais ou menos como distraídos, e os que não hesitam em adicionar novos itens ao sumário (ditado no início) no final da aula são vistos como sobre-zelosos em termos da fiabilidade das informações. Bom. Talvez esteja a exagerar as extrapolações psicanalíticas que se estabelecem a partir do hábito de escrever (ou não) os sumários.
Mas não estou aqui para fazer comentários vagamente frívolos. Estou aqui para apresentar uma reflexão que me ocorreu exactamente hoje, não sei se exclusivamente minha, mas, ainda assim, suficientemente inusitada (penso eu) para a incluir aqui. Aqui vai: o sumário é escrito puramente por hábito, ou por burocracia. Pronto. Já disse. Sim, oiço as queixas do leitor. Tanto alarde por causa de coisa nenhuma... afinal, o que há de extraordinário nessa reflexão? Bem, de extraordinário, não tem nada, mas nunca vi em lado algum a expressão de uma opinião semelhante a esta.
Conceitos de pedagogia à parte (que, de qualquer dos modos, tendo a pedagogia uma componente tão forte de psicologia, são falíveis), a escrita de um sumário tem um propósito essencialmente ritualístico e burocrático, o primeiro por ser prática comum escrever-se o sumário no início das aulas, o segundo por ser um elemento que deve constar no livro de ponto. Nada mais. Pelo menos, daquilo que posso experienciar e raciocinar, não faz falta nenhuma ao aluno, nem do ponto de vista do estudo, nem do ponto de vista da revisão de matéria (as duas coisas são praticamente a mesma, mas pronto...), ter uma lista supostamente bem organizada das actividades desenvolvidas/da matéria leccionada numa dada aula, tanto mais que essa lista é amiúde defraudada (praticamente qualquer aluno o poderá corroborar); ao contrário do que dizem alguns professores, não serve de muito saber que a matéria X se deu naquela aula, enquanto a Y só na aula a seguir, se ambas estas matérias entram para um teste (os professores, corrijam-se se só acontece com a minha pessoa, dizem a matéria que entra num teste, não as aulas que entram no mesmo), ainda para mais quando, por vezes, há aulas que contêm matéria que entra e matéria que já/ainda não entra. Assim, para o aluno (acho eu, uma vez mais...), o facto de o professor ditar o sumário, a um qualquer ponto da aula, têm uma utilidade prática mínima (só para não dizer inexistente).
No que respeita ao carácter burocrático de escrever um sumário, não entendo completamente para que é que seria necessário a escola ter um registo do que foi feito/leccionado numa dada aula, mas entendo (até para propósitos... repressivos) que tenha de haver um meio de controlar o trabalho do professor. Não é que concorde com isso, mas entendo. Assim, talvez os professores se pudessem resumir a escrever o sumário no livro de ponto em vez de o ditarem aos alunos. Eu acho que seria melhor. O que dizem os leitores? Aguardo comentários...
P.S.: Bom fim-de-semana a todos quantos leiam isto.