11 de abril de 2015

Esta É Para os Leitores...

   Não sei bem o que escrever. Não o tenho sabido desde a última entrada. Tenho tido uma ou outra ideia, uma ou outra queixa, mas nada suficientemente conexo para pôr aqui.

   Em todo o caso, devo-me (e devo-o a vocês, a todos os meus leitores, por menos que eles possam ser) uma nova entrada. Não sei bem o que dizer, por isso, tenho de pedir a vossa ajuda. Serão vocês a construir esta entrada. Atrevam-se a lançar as vossas críticas, as vossas queixas, as vossas ideias. A única coisa que eu posso fazer, e farei com gosto, se assim o desejarem, é dar-vos a minha opinião sobre elas, sempre e unicamente no intuito de as melhorar.

   Não sei que mais posso acrescentar além de vos informar que, agora (como sempre), o espaço de comentários fica à vossa disposição…

14 de janeiro de 2015

Comentando Comentários Alheios

   Sei que tenho estado ausente deste local a que se costuma chamar blogosfera. Nem sei bem porquê, se por falta de ânimo, se por falta de inspiração, se por falta de assunto. Certo é que o Sistema de Ensino lá continua no lugar, sem qualquer tipo de oposição, sem qualquer tipo de contestação, sem qualquer tipo de entrave. Mas hoje estou aqui para tecer um comentário a comentários alheios. Serei mais esclarecedor: na noite da terça-feira passada foi emitido o programa “Por Onde Vamos”, na SIC Notícias, dedicado ao estado do ensino em Portugal, e eu, sobretudo por saber que há muito tempo que devo uma entrada (não sei se a mim próprio se aos leitores, muitos ou poucos que sejam), tomei a liberdade de o ver para agora o comentar. Não poderia ter passado o serão de pior forma. Foi mais uma demonstração do Sistema, em prol do Sistema, para o Sistema e por causa do Sistema. Uma vergonha. Eis porquê.

   Ao longo do tempo, e sobretudo ao longo das minhas actividades bloguísticas, tenho vindo a verificar cada vez mais que, quando se fala do Ensino, os alunos vêm sempre em último lugar. Fala-se dos professores, fala-se das condições das escolas, fala-se das estatísticas, fala-se das disposições comunitárias da União Europeia, fala-se da colaboração com outros países, fala-se do abandono escolar, do insucesso escolar, disto e daquilo… mas não de alunos. Pois, tudo muito certo, são os adultos que têm maior influência no Sistema, logo são eles que importam, os jovens são demasiado imaturos para decidir por si mesmos, é mais do que óbvio, certo?

   Errado. Profundamente errado. Comecemos por isto: qual é a função do Ensino, esteja ele organizado como estiver? Ensinar parece-me a resposta mais evidente. Portanto, o Ensino serve para ensinar, isto é, para transmitir conhecimentos àqueles que não os têm de modo a que esses conhecimentos sejam adquiridos pelos seus destinatários. Estou a ser claro? Espero que sim.

   Ora bem, se a ideia é ensinar, é fundamental, para que se ensine, que haja quem aprenda. Um professor sozinho com as cadeiras e as mesas numa sala não pode ensinar nada a ninguém, como seria de esperar. Está, pois, estabelecido que não pode haver ensino sem alunos, pelo que são estes a componente fundamental de um qualquer Sistema de Ensino, são eles o “cliente final”, o derradeiro propósito da instituição escola. Então, se assim é, porque é que todos os envolvidos no Sistema de Ensino não agem como se assim fosse? Bom… talvez seja a minha lógica que é retorcida e interesseira, pelo que as minhas conclusões estão erradas, posso estar a ser tendencioso, a defender a minha classe e o meu posto… Sempre é menos prejudicial ser eu do que serem eles. O problema é que esta tendência se manifesta em praticamente todos os programas, notícias, blogs e artigos sobre o ensino, e quem sai prejudicado é quem não é mencionado: os alunos.

   Mas a culpa não é só dos que beneficiam mais com essa omissão (ou seja, os que fazem parte do sistema). O problema é que os próprios alunos tendem a amplificar esse efeito, com a sua passividade, com a sua aceitação, explícita ou implícita, de todas as determinações “superiores”, com a sua atitude colaboracionista, no sentido em que são muito poucos os que sequer pensam em mudar alguma coisa. Não sei o que temem, ou o que pensam ganhar com esse tipo de atitudes, mas parece-me, e é o que digo sempre, que têm mais potencial do que o que reconhecem em si mesmos, que podem verdadeiramente mudar. Para dar um exemplo em particular (não do que podem mudar, mas de que não fazem para mudar), como aluno, e como bom aluno, não me senti bem representado pelos dois alunos entrevistados no programa (pergunto-me se foram uma escolha arbitrária…), cuja declaração mais contestatária foi qualquer coisa como “isto até poderia ser considerado aborrecido, mas, como é bom para o meu futuro, até que é fixe”. Perfeito. Se estes são os adultos de amanhã…

   E, claro, há um outro elemento. Pais. Não, não é nenhum tipo de apelo à rebelião adolescente, estereótipo aliás útil para dirigir as energias dos jovens para contestar a autoridade directa dos pais em vez de procurar instituir mudanças sociais mais profundas, mas sim um apelo à consciência dos adultos feito por um jovem. Sem ofensa, claro. Bom, da minha perspectiva, o principal problema é que, falando na generalidade, a maioria dos pais apenas trava lutas que beneficiam directamente os seus educandos (gosto muito deste termo…), quando as travam; depois, o resto do tempo, vêem a escola como uma espécie de depósito para miúdos, pelo que, quanto mais tempo lá estiverem os alunos, melhor será. E isto, claro, quando não estão a afirmar, na generalidade, que todos os alunos, excepto, talvez, os seus filhos, são culpados de todos os males do mundo e arredores, e que só querem ter direitos e não ter deveres. Ou, talvez, seja eu que contacte com uma amostra pouco representativa dos pais de Portugal…

   Mas, para mim, o principal problema até nem é esse. O problema, e como as figuras presentes no “debate” expressaram (mais indirecta do que directamente), é que também se vê o acto de aprender andar na escola como algo cada vez mais exclusivamente burocrático (nenhum trocadilho propositado). Ou seja, há isto, isto e aquilo para fazer, nem se sabe porquê, mas, segundo o regulamento a e a directiva b e a alínea c do artigo d do decreto-lei e, está estabelecido que se deve fazer, ainda para mais porque o estudo f indica que o indicador da estatística g é melhorado por essa medida. Então e a tal história de aprender? Nada? Pois, já me esquecia, a portaria h é omissa quanto a isso. Desculpem-me o ridículo. Mas isto está, obviamente que numa menor escala, patente em belezas como as que referi na entrada anterior (Da Avaliação da Inutilidade), nomeadamente componentes mais ou menos inúteis da avaliação (como o título da entrada o indicia).

   Mas pronto, chega de generalidades gerais. Passemos a generalidades específicas. E, em particular, a uma coisa apontada pelo actual Ministro da Educação, Nuno Crato, que referiu algo do género de os professores se poderem formar mesmo não tendo aprendido algumas matérias de algumas áreas, ou melhor, mesmo tendo aproveitamento insuficiente nessas áreas. Não sei quanto aos leitores, mas eu acho que vejo mais uma oportunidade de impingir os meus Mini-Ciclos de Leccionamento. A sério, pensem nisso. Pelo menos, ninguém poderia progredir numa dada área sem saber a matéria essencial.

   Também achei curiosa a afirmação de Jorge Pedreira, que se prendia com a finalidade do ensino, que corresponderia a dar a todos os alunos a capacidade de aumentar o seu desenvolvimento pessoal, ou qualquer coisa semelhante a isso. Tudo bem, é uma ideia, mas creio que seria uma expressão mais aplicável num livro de auto-ajuda do que no contexto do ensino, que, como já referi, serviria para ensinar. Digo eu.

   Outra coisa que me captou o interesse, e curiosamente surge um pouco em oposição a uma minha afirmação no meu texto contra os Exames Nacionais, foi uma declaração de Nuno Crato no sentido de os exames não serem uma forma de duvidar da qualidade do ensino, mas sim de garantir a qualidade dos alunos que dele provêm. Então, se se for a pensar assim, de que servem os testes e a avaliação durante o ano lectivo? Deixo a pergunta no ar…

   E, para terminar com uma nota ligeiramente positiva, não posso deixar de referir que há, pelo menos, uma coisa em que concordo com as figuras presentes no debate: a falta de constância, a nível programático e de professores, prejudica os alunos. É verdade. Sem professores, é difícil aprender (mas, relembro, sem estudantes é impossível ensinar). Se bem que a inconstância seja consequência, também, dos actuais moldes do Sistema, que não posso considerar finais e irrepreensíveis.

   Não foi só isto, mas basta-me, por agora. Desejo um bom resto de semana a todos, e agradeço-vos por me terem lido. O espaço de comentários está à vossa disposição, como sempre.

23 de novembro de 2014

Da Avaliação da Inutilidade

   Para que servem os testes? Começarei por colocar esta pergunta retórica. A resposta que mais facilmente se apresenta, e que muito provavelmente foi a primeira que surgiu na mente dos leitores (e também na minha), é a de que se realizam testes para verificar qual o nível de conhecimento dos alunos relativamente a uma(s) matéria(s) em específico. Não analisarei outros usos potenciais, como sejam um intuito vagamente punitivo (“Portaram-se mal na aula passada, não foi? Pois agora têm teste surpresa!”) ou, então, um intuito formativo (realizar-se testes para potenciar o estudo da matéria testada por parte dos alunos), por serem, creio, menos frequentes e praticamente insignificantes em comparação com o que foi apresentado primeiramente.

   Já se estabeleceu, então, a finalidade dos testes, certo? Errado. Essa é só a finalidade teórica dos testes; na prática, as coisas são um pouco diferentes. Como já disse, e como nunca poderei deixar de dizer, o aluno pode não saber verdadeiramente a matéria, mas, ainda assim, ter uma boa classificação no teste, seja porque decorou essa matéria, seja porque usou cábulas, seja porque copiou por um outro colega, seja porque recebeu informações através do telemóvel que pôde manter escondido debaixo da mesa, seja porque adoptou um qualquer outro sistema que lhe tenha permitido saber as respostas que, de outra forma, não poderia ter sabido; por outro lado, o aluno pode saber a matéria, mas isso não se revelar propriamente na classificação do teste, seja porque, por um acaso infeliz (ou, parafraseando uma comunicação oficial acerca de uma certa bactéria que não vale a pena referir aqui, uma conjugação anormal de factores ambientais adversos), teve um problema, familiar ou de outra natureza, no dia anterior ao teste e isso o impediu de estar devidamente concentrado, seja porque, por uma pura questão de tempo, não conseguiu acabar o teste, seja porque o teste não estava muito bem elaborado (no sentido em que a indesejável subjectividade que às vezes se verifica em testes pode ter induzido o aluno a responder erradamente ao que pretendia o professor, mesmo que a resposta do aluno fosse a certa, de acordo com a única interpretação correcta do Português), seja porque houve qualquer outra situação que o prejudicou no decurso da realização do teste.

   Poder-se-á, então, dizer, como sempre o defendo e sempre o defenderei, que os testes podem não reflectir, de facto, o verdadeiro nível de conhecimento do aluno. Sei que me dirão que tudo aquilo que apresentei não passa de acontecimentos pontuais, e que seria improvável que um aluno conseguisse cabular ou copiar eficazmente em todos os testes, ou, então, que tivesse problemas em todos os testes; quanto ao segundo aspecto, reconheço que não é fácil que aconteça (embora haja sempre essa possibilidade), mas, quanto ao primeiro… abster-me-ei de fazer qualquer tipo de comentários. Assim, afigura-se-me lógico concluir-se que os testes podem falhar (diria que falham mesmo) o seu propósito, pelo que são um elemento de avaliação que tem de ser melhorado. A minha proposta (e remetendo, uma vez mais, para a minha ideia principal) será serem desvalorizados pelo aumento da sua frequência, no sentido em que cada exercício sirva para determinar se o aluno já sabe, ou ainda não sabe, a matéria (podendo ser visto, então, como uma espécie de “teste”, mas cuja avaliação é meramente binária: sabe ou não sabe; seria apenas vinculativo o resultado final, ou melhor, o resultado do(s) exercício(s) que fosse(m) realizado(s) mais tarde, naquilo que seria a última aula desse módulo, que, esclareço para aqueles que desconheçam ou não se recordem da minha ideia, corresponderia a duas a dez aulas).

   Mas passemos a outros elementos de avaliação. Há, em escolas por aí e por aqui, um certo costume de efectuar coisas como “Questões-Aula” e testes “Teórico-Práticos” (e, possivelmente, outras coisas semelhantes, mas das quais nunca ouvi falar; menciono apenas estas por desconhecer as outras), supostamente momentos de avaliação de somenos importância e, portanto, de menor duração e mais fácil realização (sobretudo pela sua menor extensão). Em teoria, e tendo em conta o que proponho, eu até deveria ser a favor deste tipo de elementos de avaliação, tanto mais que permitem avaliar o conhecimento do aluno naquilo que seria um momento de avaliação mais “descontraído”, com menos stress, com menos pressão, com menos matéria. No entanto, ao passarmos da teoria à prática, deparamo-nos, uma vez mais, com um obstáculo: esses supostos momentos de avaliação mais “descontraídos”, conforme os designei anteriormente, costumam degenerar em algo semelhante a um teste propriamente dito (independentemente da percentagem da nota final que lhes é atribuída), seja pela quantidade de matéria que é possível sair, seja pelo seu tamanho (e, portanto, a sua duração), seja pelo peso que os alunos preocupados (sei que acontece, já o vi – e também já me aconteceu) acabam por lhes atribuir. Assim, parece-me que o melhor que há a fazer a este tipo de coisas, visto acabarem por ser semelhantes a testes, é tratá-las como testes, e usar a mesma solução que proponho acima (a tal história dos exercícios).

   Mas há mais (e peço desculpa a todos quantos fiquem incomodados pela extensão desta minha entrada). Não querendo entrar em especificidades de disciplinas, há, sobretudo, nas línguas, mas também nalgumas outras disciplinas, o costume de se avaliar a expressão oral dos alunos através de apresentações. Pedagogias à parte, creio que este instrumento de avaliação não é propriamente o mais eficaz, nem para os alunos (que têm de fazer um mais ou menos extenso trabalho de pesquisa – ou, então, fazer copy-paste de trabalhos já feitos – e, depois, estruturar uma apresentação, o que passa, na maioria dos casos, por decorar um texto para depois o despejarem no momento da apresentação – ou, então, ler o texto que prepararam e/ou que esteja presente no suporte informático que lhes seja permitido ter), nem para os professores (no sentido em que a avaliação pode não reflectir exactamente as capacidades do aluno, por o texto ter sido decorado e estar a ser recitado em vez de composto na altura, ou, então, pelo nervosismo do aluno, que prejudica a sua capacidade de se expressar). Para isto, vejo um remédio relativamente simples: em vez das apresentações, estimular (mais frequentemente, leia-se) debates e actividades semelhantes em contexto de sala de aula, avaliando o aluno a partir do seu desempenho durante esses momentos, a partir daquilo que consegue articular no momento, de improviso, o que reflecte mais fielmente as suas verdadeiras capacidades linguísticas.

   Só tenho de referir mais uma coisa antes de passar a algum tipo de conclusão: os trabalhos escritos, cuja utilidade me escapa completamente (isto é um apelo ao esclarecimento da minha pessoa por parte de qualquer leitor iluminado: para que é que servem estes trabalhos?), embora saiba reconhecer que representam uma perda de tempo bastante significativa (para alguns; para outros, que talvez sejam muitos, basta plagiar aqui e ali e está feito), são mais um momento de avaliação cuja utilidade gostaria de pôr em causa.



   Mas, todas estas queixas e sugestões e críticas à parte, para quê sequer haver avaliação? Muitos dirão que é indispensável saber se o aluno sabe a matéria, mas eu poderei identificar aí falta de confiança por parte do sistema no próprio sistema, pois, se o sistema funcionasse, o aluno saberia certamente a matéria. Muitos dirão que nem todos os alunos têm as mesmas capacidades, e que, por isso, devem ser escalonados, separados, de acordo com o que podem ou não fazer, mas eu responderei que, se se permite a um aluno prosseguir estudos com apenas 50% da matéria “sabida”, acaba-se por o colocar numa quase igualdade com os que “sabem” mais, e acrescentarei, ainda, que não devemos apontar para o meio, mas para o topo, pois todos terão pelo menos um topo a que podem chegar (traduzindo: haverá pelo menos uma matéria que saberão integralmente, pelo que é esse saber integral que se lhe deve exigir). Muitos continuarão a afirmar que a avaliação faz parte da vida, mas eu contraporei que a vida é como nós a fazemos, que a avaliação não é uma lei absoluta, que não há nada que seja absoluto.

   Assim, só posso afirmar, e defender, até à última letra que escreva neste blog, que a avaliação, pelo menos nos moldes actuais, não faz falta; o que se devia fazer, sim, é exigir o total conhecimento da matéria (de uma unidade indivisível dela, claro), ou, se não puder ser atingido, o estudo doutra (unidade indivisível, uma vez mais); ou tudo, ou nada, em vez de qualquer coisa lá pelo meio. É isso.